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A agricultura brasileira tem crescido a cada safra, aumentando o volume e a complexidade dos trabalhos pertinentes às estimativas da produção. Além da grande extensão territorial, outros fatores também sobrecarregam os trabalhos da Companhia nas estimativas de safras como a diversidade regional do solo e do relevo, diferentes tratos culturais entre regiões, vocação agrícola variada, ataque de pragas e doenças que podem provocar quebras no rendimento das lavouras, dispersão e variação da dimensão das áreas de cultivo, lavouras consorciadas, rotação de culturas, erradicação de lavouras, períodos de plantio diferentes entre regiões, expansão de áreas de cultivo, novas fronteiras agrícolas; e em especial, as condições climáticas que afetam rapidamente a produtividade das lavouras.
Esse ambiente complexo tem exigido da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a busca de medidas mais eficazes para incrementar a potencialidade do sistema de levantamento de safras do governo e para isso a Companhia tem se empenhado na apropriação de ferramental diversificado em complementação à metodologia tradicional de consulta direta ao setor produtivo (método subjetivo).
Com esse propósito, a Conab vem utilizando, desde 2004, recursos tecnológicos de eficiência comprovada tais como: modelos estatísticos, sensoriamento remoto, posicionamento por satélite (GPS), sistemas de informações geográficas e modelos agrometeorológicos. Esse conjunto de tecnologias constituem método objetivo que integram o Projeto GeoSafras.
A partir de entendimentos iniciados em 2003 formou-se em torno do Projeto GeoSafras um ambiente de cooperação e de união de esforços para um objetivo comum: aprimorar as estimativas de safras brasileiras tornando inquestionáveis os números do governo. O GeoSafras vem assim possibilitando a aplicação em escalas regionais e nacional, daquelas experiências que inicialmente foram testadas em nível de município e de lavouras.
A articulação institucional tem sido fundamental para viabilizar a execução do Projeto Geosafras bem como a proposição de soluções para previsão de safras.
Esse ambiente de cooperação é constituído por um consórcio de aproximadamente quinze instituições públicas de ensino e pesquisa e muitas outras entidades de apoio e extensão rural que, em conjunto e sob a coordenação da Conab, realizam também grande parte das tarefas operacionais do Projeto. A Conab aloca nessas instituições recursos humanos custeados principalmente por meio das bolsas disponibilizadas pelo CNPq e de recursos repassados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento destinados ao Projeto.
Os dados produzidos pelo projeto têm sido utilizados exaustivamente pelos operadores do agronegócio e pelo governo como suporte na tomada de decisões. As estimativas de safras influem diretamente no comportamento dos preços internos e externos dos produtos agrícolas primários e seus derivados. O conhecimento do volume da produção e da sua distribuição no espaço geográfico propiciam ao governo aprimorar as ações nas políticas públicas para o setor agrícola, possibilitando estabelecer uma melhor logística de atuação nas mais diversas situações. O governo pode ainda planejar com maior segurança as atividades que envolvem os principais elos da cadeia produtiva, sobretudo nos pontos mais vulneráveis onde estão produtores e consumidores. Para a iniciativa privada, os benefícios permeiam todo o ambiente do agronegócio: setor produtivo, armazenagem, manutenção de estoques, transporte, industrialização, comercialização, exportação e importação.
O Projeto GeoSafras tem enfocado prioritariamente alguns produtos como café, cana-de-açúcar, soja, arroz, milho e trigo. Esta prioridade decorre da urgência das demandas por informações relativas a tais culturas. Porém o Projeto deverá, na medida das necessidades e possibilidades, estender sua abrangência para outros produtos.
A estimativa da produção agrícola é trabalhada no Projeto Geosafras com base em duas variáveis: Estimativa de Área Cultivada e Estimativa de Produtividadedas culturas.
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